Boa Vista - RR, Terça, 06 de Janeiro de 2009

Gersika Nascimento

» 7x7

Gersika Nascimento » é estudante de jornalismo do curso de comunicação social - UFRR e Assessora de Comunicação da Sec. Est. de Educação-RR e Editora do 7 x 7

29/07/2008 - 13:49:15h

7 X 7 entrevista os candidatos à Prefeitura de BV

Ariomar do PCO, e Oca do PSOL

Gersika Nascimento

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Aqui no Jota7 você fica sabendo quais são as principais propostas dos candidatos à Prefeitura de Boa Vista. Nesta semana trazemos entrevista com dois dos quatro candidatos: Ariomar Farias, do Partido da Causa Operária (PCO), e José Luis Oca, do Partido Liberdade e Socialismo (PSOL).

Ariomar Farias de Lima é boavistense. Trabalha com serviços de contabilidade e caixa, é presidente do Sindicato dos Carteiros. Filiado ao Partido da Causa Operária (PCO), não tem coligação, seu candidato a vice-prefeito é Celso Gouvêa, também do PCO. Declarou gasto de campanha de R$ 30 mil. "Os nossos recursos praticamente não existem. A nossa campanha vai ser feita de rua em rua, de porta em porta, conversando com os companheiros de serviço".

Ariomar acredita que para o município desenvolver-se é preciso haver um envolvimento maior entre os poderes e principalmente entre o Executivo, no caso a prefeitura, e a comunidade. "Tem que trabalhar junto a população e o governo senão não desenvolve". A prioridade de seu governo é a população trabalhadora.

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1. Por que o senhor quer ser prefeito de Boa Vista?

Foi mais uma colocação política do nosso partido, que é o Partido da Causa Operária (PCO) que tem uma resolução de participar de toda eleição, seja ela municipal, seja estadual. Sempre participar para utilizar esse espaço que são as eleições para que nós possamos colocar as nossas idéias e as nossas propostas como forma de levar o conhecimento político para a população. É mais como uma forma de esclarecer a população sobre essa questão das eleições.

2. O trânsito da capital roraimense é um dos que mais matam em todo o país, mesmo tendo a menor população de todas as capitais do Brasil. O que o senhor como prefeito pode fazer pra reduzir esses números? Qual o seu projeto para resolver realmente o problema do transporte coletivo da cidade?

Boa Vista é uma cidade muito pequena, não se compara com as metrópoles, apesar de já ter uma frota de veículos razoável para a quantidade da população. De imediato o que se pode fazer basicamente é melhorar a sinalização, fazer toda uma verificação das ruas, mão, contramão. A nossa cidade é em formato de leque, com várias ruas que se direcionam sentido centro-bairro, é preciso fazer um trabalho de imediato para se evitar esse grande congestionamento que já começa a aparecer no centro da cidade. Então uma melhor sinalização, colocação de semáforos e, logicamente, de mais placas de trânsito.

O transporte coletivo é diretamente ligado a questão dos trabalhadores, a população trabalhadora da nossa cidade. A única forma de a gente resolver esse problema do transporte coletivo é a gente estatizar, ou seja, tirar das mãos da iniciativa privada e trazer para o controle do município, através da criação de uma empresa municipal de transporte coletivo com o controle do governo e dos trabalhadores. Essa é a única forma de realmente acabar com o problema de transporte coletivo no nosso município.

3. Outro problema da cidade é a falta de drenagem das águas pluviais, a dificuldade no escoamento da água. Como prefeito o senhor acredita que pode resolver esse problema?

Essa é uma questão de infra-estrutura. Na verdade hoje, o administrador, o executivo municipal e também o estadual, se preocupa muito em embelezar a cidade por cima, faz primeiro o asfalto e esquece completamente a questão da drenagem. A gente está vendo promessas e mais promessas de fechar vala, abrir vala, melhorar a drenagem e, no entanto, os bairros continuam alagados, principalmente os bairros populares onde estão os trabalhadores. Essas obras dificilmente a população vai ver, porque são obras que ficam escondidas no subsolo.

Então nós temos que verificar in loco o que está acontecendo e envolver as comunidades que estão sofrendo com esse problema, para juntos, prefeitura e comunidade, encontrarmos uma solução definitiva para esta situação.

4. Boa Vista está as portas de passar a ser Área de Livre Comercio (ALC) e Zona de Processamento de Exportação (ZPE), qual o projeto que o senhor tem para que essas mudanças ajudem no desenvolvimento da capital?

Essa Área de Livre Comércio e Zona de Processamento de Exportação com certeza vai atrair um comércio mais ampliado, porque o nosso comércio aqui é muito pequeno, então vai trazer o crescimento do comércio e isso com certeza irá gerar mais empregos, vai atrair também o melhoramento do turismo aqui na nossa capital. Acredito que se vier para melhorar a vida da nossa população a prefeitura tem que se envolver com os setores do comércio, indústria, turismo e discutir qual é o melhor caminho a ser seguido.

5. Como o senhor espera resolver o problema da rede municipal de saúde, com o pequeno número de médicos na cidade?

O nosso partido é contra a municipalização da saúde e é totalmente a favor da estatização do serviço público de saúde. Afinal de contas a saúde não é comércio, apesar de hoje no Brasil ser tratada como comércio. Vemos a abertura de planos de saúde todos os dias e, mais, planos de saúde com várias restrições. A única forma de melhorar é pegar a verba da saúde e investir na saúde visando sempre a população. Essa é a única forma da gente melhorar a nossa saúde e para isso temos que envolver os profissionais da área, conversar com os sindicatos, com as comunidades, com os trabalhadores da saúde para ver onde estão os problemas e de que forma o executivo pode contribuir para melhorar.

6. Como o senhor vê a redução do Fundo de Participação do Município (FPM)?

A questão de redução de verba para o município tem que ser muito discutida, porque tem outros impostos como o IPTU, que inclusive precisam ser revistos, principalmente para aqueles trabalhadores da periferia. A questão do FPM não é tão um entrave para o desenvolvimento do município, afinal de contas o governo socialista não visa transferir recursos para grandes empresários. A gente não vai entrar em uma disputa pela prefeitura para construir grandes viadutos ou grandes obras que possam ser vistas, a gente vai utilizar o dinheiro que a gente tiver em prol da nossa população trabalhadora. Se tiver um real ou um milhão tem que ser destinado à população.

7. Quais seriam as prioridades da sua administração, caso eleito prefeito de Boa Vista?

A prioridade de qualquer governo deveria ser a população trabalhadora. O que envolve diretamente a população, a questão da saúde, da educação, do saneamento básico, transporte.

José Luis Oca é venezuelano, natural do estado de Bolívar, que faz fronteira com o Brasil através da cidade de Pacaraima. Naturalizado brasileiro, vive no Brasil há 25 anos. É formado em Engenharia Florestal, pela Faculdade de Ciências Agrárias do Pará e mora em Roraima desde 1994. É presidente do Partido Socialista da Liberdade (Psol) desde setembro de 2007 e tem como candidato a vice-prefeito Raimundo Marques. Declarou usar na campanha R$ 80 mil e seu partido não tem coligação.

Para Oca, o município também só irá se desenvolver quando houver a participação da sociedade na gestão. "Uma vez que nós levamos o poder popular nós vamos encontrar um novo paradigma para o desenvolvimento, gerenciando junto com o povo, procurando as melhoras de vida para esse povo". Como prioridade, Oca pretende acabar com a corrupção.

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1. Por que o senhor quer ser prefeito de Boa Vista?

Porque o partido (Psol) assim o decidiu. Fui indicado pelo partido, apesar de termos dois candidatos, eu fui vitorioso na nossa convenção. Sou presidente do partido, mas não por isso sou candidato à prefeitura e sim pela eleição da maioria dos nossos militantes.

2. O trânsito da capital roraimense é um dos que mais matam em todo o país, mesmo tendo a menor população de todas as capitais do Brasil. O que o senhor como prefeito pode fazer pra reduzir esses números? Qual o seu projeto para resolver realmente o problema do transporte coletivo da cidade?

Em primeiro lugar a gente entende que proporcionalmente Boa Vista é campeão em acidentes com relação ao resto do país. Na administração, no gerenciamento da administração pública, nós temos que ter responsabilidade enquanto a aplicação dos recursos. Segundo que os projetos de trânsito geralmente vêm de outras pessoas e não são estudadas com relação ao que nós vivemos. A maioria dos projetos que vem de fora traz idéias que não são aplicadas a Boa Vista e nós estaremos cuidando disso.

Hoje a frota de ônibus que a prefeitura tem é totalmente incipiente, ela não cobre a demanda do município. Uma vez levantada a necessidade dessa demanda da qual estou falando, nós iríamos então adquirir os ônibus necessários. Também pensamos assim: se houverem algumas empresas interessadas em participar, elas terão acesso.

3. Outro problema da cidade é a falta de drenagem das águas pluviais, a dificuldade no escoamento da água. Como prefeito o senhor acredita que pode resolver esse problema?

É um problema sério. Nós temos que entender qual o relevo que temos aqui, que é de plano a pouco ondulado. E nós temos um grande receptor que é o rio Branco. Então, por exemplo, se nós começarmos a fazer um levantamento com relação a esse relevo teríamos condições de ver como escoar a água até o receptor que seria o rio Branco. Agora isso tem um grande motivo que é justamente a verdadeira aplicação dos recursos, porque, na verdade, todo problema existe porque nunca houve programas que tenham realmente fundamento para resolver esse problema. Estou em Boa Vista desde 1994 e sempre ouvi falar que vão resolver e as coisas estão piorando, não há condições de continuar assim.

4. Boa Vista está as portas de passar a ser Área de Livre Comercio (ALC) e Zona de Processamento de Exportação (ZPE), qual o projeto que o senhor tem para essas mudanças para ajudar no desenvolvimento da capital?

É uma questão de adequação. O comércio local tem tido circunstancias favoráveis e outras desfavoráveis. Por exemplo, no momento o comércio de Boa Vista é desfavorecido pela perda do poder da moeda do país vizinho, da Venezuela, e também em relação a Guiana. Com essa entrada da ALC, acredito que tem que haver uma junção entre o comércio local com as divisões, a Sefaz e a própria prefeitura, para a gente encontrar um denominador comum para viabilizar todo o comércio.

5. Como o senhor espera resolver o problema da rede municipal de saúde, com o pequeno número de médicos na cidade?

Recentemente os médicos estiveram em greve, eles foram atendidos nas suas reivindicações. Entretanto, ainda acho pouco porque uma vez que se aplicam bem os recursos teríamos médicos ganhando bem, não teríamos um quadro reduzido. Teria que abrir concurso público e quem passar no concurso público ser admitido imediatamente e não ficar com o quando como está deficiente, que não atende a demanda que se tem hoje. O processo seletivo é circunstancial pela necessidade, é um artifício que se cria, mas eu acredito que o concurso público efetivo que deve ser feito como está na lei. Os gestores não fazem as coisas conforme o que está na lei e sim usam esses artifícios porque são brechas que a lei permite.

6. Como o senhor vê a redução do Fundo de Participação do Município (FPM)?

É lamentável quando se cruzam dados e de repente se pega o município de surpresa. Quando você tem um orçamento, você tem compromissos a cumprir, mas não é por causa dessa redução que nós vamos justificar que os recursos que estão chegando são insuficientes para sanar os gastos. Se de fato houve a redução da população, do número de moradores na capital a gente tem que se conformar com o que tem e a partir daí começar a organizar o planejamento da administração que tem que ser feito em cima daquilo que é real. O direito de ir e vir ninguém pode cortar.

7. Quais seriam as prioridades da sua administração, caso eleito prefeito de Boa Vista?

Como prioridade acabar com a corrupção, isto unido ao povo de Boa Vista. Essa é a grande prioridade do nosso partido. O Psol ele tem não só em Boa Vista mas a nível nacional essa prioridade. Nós vamos procurar acabar com a corrupção. Entendemos que as verbas, os recursos que são injetados aqui não são aplicados verdadeiramente, por isso os problemas continuam. Falam hoje que a saúde é a melhor, porém não é a melhor, existe muito problemas. No Hospital Infantil falta merenda para os funcionários, tem que ter mais enfermeiros. Então se todos os recursos forem aplicados nós teremos com certeza uma capital melhor e o povo vivendo melhor

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