Boa Vista - RR, Terça, 06 de Janeiro de 2009
Luciano Abreu » Jornalista formado em comunicação social - UFRR, repórter de telejornal e editor e cronista do Portal www.jota7.com - lucianoabreu@jota7.com
06/04/2008 - 18:03:34h
Luciano Abreu
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Fechar [X]Foto: Tana Halú
A Cobertura, A Profissão e o Filé
Nesta profissão que abraçamos, ser jornalista, quase sempre nos deparamos com os três “is”. O inesperado, o inusitado, o impensável. Seja pela atitude irracional do ser humano, no clímax da violência, seja pela força de um evento natural, ou simplesmente pelas nossas reações diante dos fatos jornalísticos de cada dia.
Nosso estado vive um... “estado” de guerra! Cobrir os atuais acontecimentos requer cuidado, não só o cuidado profissional... pessoal também. Temos ameaças à colegas, que talvez não digam o que muitos esperam, materiais, digamos, confiscados. Tudo isso... é reflexo de um momento delicado. Participar de uma cobertura como essa, é estar sujeito a algumas situações indesejadas.
Um dia desses, por exemplo, eu, o companheiro Wagner Pessoa e o fotógrafo Tana Halú, nos dirigimos ao Surumu, hoje zona de conflito. O objetivo? Chegar ao local e registrar a situação dos manifestantes que resistem à idéia de serem retirados das terras que ocupam. Daí seguimos viagem! Uma ponte no dia anterior foi queimada, então era preciso deixar o carro pequeno num ponto e seguir em outro veículo 4X4, que deveria estar nos aguardando, deveria!
Como já ficou claro o carro não estava lá e não havia comunicação. A decisão? Seguir a pé! Isso mesmo na canela dura, na pernada, como queiram. Era sol de uma da tarde, imagina!? Os três loucos no lavrado, parando de sombra em sombra, andamos por uma e meia até conseguir uma carona. E no retorno... a mesma função, mais uma hora e meia de caminhada no lavrado. Isso só para conseguir umas imagens e três entrevistas. Fazer o que? É a profissão.
É esta mesma profissão que já me fez atravessar um rio de cuecas, com as roupas e o microfone na cabeça, que já me fez “tentar” um flagrante de venda de maconha em área indígena (devidamente acompanhado por um agente federal). Esta mesma profissão me fez ser ameaçado por políticos, índios, ladrões, me fez ver cadáveres boiando na Guiana Inglesa, durante uma calamidade. Recentemente testei, juntamente com o cinegrafista Wagner Pessoa, os limites do meu corpo sedentário. Subimos o Monte Roraima, três dias subindo, dois dias descendo, horas de caminhada e a certeza de que nunca tinha feito algo tão estressante fisicamente.
Foto: Tana Halú
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De alguns colegas ouvimos às vezes: Vocês só pegam o “filé”! Em resumo, segundo dizem, só pegamos o que é bom! Boas matérias!
Em quase tudo, se não em tudo, é preciso levar em conta que existe o ônus e o bônus.
Será que todos estão dispostos a pagar?
Digo, sem entender muito de culinária, que meu “filé” não tem muita carne, mas que nem por isso deixa de estar “gostoso”. E o gosto bom, não vem, acreditem, do filé! Vem daquilo que ele representa pra mim, vem do meu prazer em comê-lo. O prazer que não posso dizer que todos sentem, porque só quem sente sabe.
E assim de filé em filé, montamos esse cardápio profissional, nem sempre comendo muito, mas nem por isso se alimentando mal, nem sempre comendo o que se quer, mas nem por isso perdendo o prazer em comer.
Foto: Tana Halú
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Comentários
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25/04/2008 - 08:47:38h por Pedro alencar
depois de 17 km de caminhada,algums litros de suor e uma edição de imagens bem feita,tudo fica simples para quem ver na telinha.
ser profissional é simples e só ser competente !!!
e competência e o que não falta a vocês!!
parabéns
15/04/2008 - 09:00:53h por Iana
Olá Luciano,fico feliz em vê profissionais como vc, pois nosso Estado está cheio de pessoas que desistem por qualquer dificuldade, ainda mais se tratando de profissão,mais tais coisas não são para fracos. Vc é um exemplo de vitória diária!Logo será recompensado! Parabéns
12/04/2008 - 18:14:45h por ayslane dantas
São decisões como esta que fazem o diferencial no trabalho de quem é profissional de verdade. Parabéns pela bela matéria que vocês trouxeram, que só não entrou naquele dia no JN -teve que ficar para o dia seguinte - por conta da caminhada...Boa sorte para vcs sempre!
09/04/2008 - 09:22:42h por Jonas Elmore
Caro Luciano abreu: isso que você e o Vagner passaram na Raposa Serra do Sol são ossos do oficio companheiro. Agradeça a Deus pela oportunidade. No futuro comentará tais façanhas. O importante é que vocês estão cumprindo com o que deve ser feito. Parabéns pelo trabalho "Cabrini do Lavrado"!
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