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Boa Vista - RR, Domingo, 05 de Fevereiro de 2012

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09/08/2010 - 19:22:51h - Fonte: portal Creio

TESTEMUNHO DE AMOR E FÉ

Seu Mazinho é pai de 40 filhos como parte de um ministério

portal Creio

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Foto: divulgação/creio TESTEMUNHO DE AMOR E FÉ Ampliar foto Fechar [X]Foto: divulgação/creio

Pai é pai, mas Alcimar Faria Quaresma, de 53 anos, é um paizão. Acorda cedo para fazer o café, leva e busca todos os dias na escola, socorre ao hospital quando precisa, acredita nos sonhos dos filhos mais do que eles mesmos e está sempre com os braços abertos, disposto a dar colo. É tudo o que um bom pai faz, a diferença é que Alcimar, conhecido como Mazinho, faz isso por 40 filhos!

Na grande família de Mazinho, que vive em um sítio em Atibaia, a 67 quilômetros da capital, tudo ganha dimensões gigantescas. Do quintal para as crianças à quantidade de comida para alimentar o exército de filhos. O trabalho, as atenções e as preocupações também se multiplicam por 40. Mas, no fim das contas, o que faz sentido na vida de Mazinho são as alegrias de ter a casa sempre cheia.

Dos 40 filhos, 37 são adotados. A primeira adoção ocorreu em 1986, quando ele e a mulher, Ana Lúcia, de 50 anos, já tinham três filhos e viviam no Rio de Janeiro. Como todo casal, eles queriam um bebê. E vieram até Atibaia atrás de um. A adoção não deu certo, mas foi assim que o casal descobriu a necessidade da adoção no Brasil. Pouco tempo depois, Mazinho e a mulher retornaram a Atibaia para buscar Ricardo. Um menino negro, já com 10 anos e mais velho que a primogênita do casal, a professora Daniele, hoje com 32 anos.

Na época, o carioca Mazinho tinha um bom emprego e se preparava para começar uma faculdade de engenharia. Mas a chegada de Ricardo mudou os planos da família. O então ferroviário pediu demissão e se mudou para Atibaia, onde conheceu um projeto que incentivava casais a adotar crianças e ter até dez filhos.

"Foi difícil, ninguém entendeu minha decisão. Deixei minha vida para ser pai", lembra. O projeto era chegar às dez crianças em sete anos. Mas em dois o casal já tinha adotado outras oito e contabilizava 12 filhos. Depois disso, começaram a vir os grupos de cinco, quatro e três irmãos. Hoje, eles não conseguem dizer de pronto quantos foram os grupos. A partir da adoção, números perdem o sentido: "Todos são filhos".

Mazinho enche o peito de orgulho para dizer que eles formam uma família, e não uma instituição. Ele sempre recusou propostas para aparecer na televisão, tem medo de expor os filhos. "É uma família atípica, mas é minha família", enfatiza o pai, que trabalha como marceneiro no sítio e recebe doações que ajudam nas despesas. Alguns filhos já trabalham e colaboram no orçamento.

A família enorme quase nunca passa despercebida. Mazinho carrega sua turma para a escola num micro-ônibus. De manhã vão os adolescentes. À tarde, os pequenos. Na igreja evangélica que frequentam, a família ocupa sozinha cinco bancos. Dificilmente recebem convites para festas de aniversários infantis. "Senão só iriam os meus filhos", diverte-se Mazinho, compreensivo.

Quem foi chegando - uns menores, outros maiores - teve de aprender a noção de família como regra número um por ali. Tem de chamar de papai, mamãe e reconhecer irmãos em traços físicos tão diferentes. "Irmãos se defendem e se protegem", ensina o paizão.

No sítio de Mazinho, loiros, morenos, negros e um oriental cuidam uns dos outros. À Lilian, de 19 anos, que é cega, nunca faltam mãos para guiá-la. Todos ajudam nas tarefas, compartilham os dez quartos da casa e disputam uma vaguinha na cama dos pais. Brigam também, como toda a família. E, apesar das muitas alegrias, houve algumas decepções no meio do caminho. Quatro filhos foram embora e pouco dão notícia. E um acabou sendo preso.

Dos 40, 32 ainda vivem na casa de Mazinho. A caçula é Laura, de 3 anos, que chegou com dois irmãos há apenas seis meses. Tímida, ela está aprendendo a reconhecer no sítio o seu lar. Mas o modo como aos poucos se aproxima, procurando abrigo no colo de Mazinho, não deixa dúvida de que aprendeu rápido quem é o papai .

Os outros podem achar que a família está completa, mas Mazinho diz que ainda não tem certeza. Quer apenas dar um tempo, porque a casa começa a ficar pequena. Mas o coração fez-se grande, para nele sempre caber mais um.

Escolha profissional vai de piloto a engenharia. Seu Mazinho sempre fez questão que os filhos estudassem. Muitos ali aproveitaram bem as oportunidades que tiveram. A família tem professores, árbitro de basquete, enfermeira, nutricionista, protético e até piloto. Uma estuda publicidade e outro, engenharia da computação. "Eles podem querem ser médico, astronauta ou o que for. Não tem sonhos para crianças que ele acha impossível", diz Ana Lúcia, a mãezona que põe ordem naquela casa.

Consumo diário na casa de seu Mazinho

12 litros de leite

100 pães

2 quilos de feijão

3 quilos de arroz

5 quilos de carne

Presentes de Dia dos Pais feitos em casa

É com a ajuda de Ana Lúcia que os filhos menores prepararam, ao longo da semana, as surpresas para Mazinho neste Dia dos Pais. Uns pintaram quadros, outros camisetas, outros vão entregar desenhos e cartinhas. Tudo para dizer dizer que ele é o melhor pai do mundo.

Quantos são na família

São 40 filhos.

21 meninas e 19 meninos. 32 ainda moram com seu Mazinho. 27 estão em idade escolar.

4 são casados. Seu Mazinho tem 7 netos.

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