Boa Vista - RR, Sexta, 21 de Novembro de 2008
27/08/2008 - 23:47:12h
Gersika Nascimento
Ampliar foto No Surumu, grupo ligado aos arrozeiros comemora suspensão do julgamento
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No Surumu, grupo ligado aos arrozeiros comemora suspensão do julgamento
Raposa Serra do Sol (RR) - Como em uma partida de futebol, o julgamento do processo que trata da homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol no Supremo Tribunal Federal (STF), teve duas "torcidas" de lados opostos: os contrários a demarcação em área contínua e os que pretendem que a reserva permaneça para os índios.
Porém, o Distrito do Surumu, como é chamado pelos arrozeiros, ou a Comunidade do Barro, nomeada assim pelos índios ligados ao Conselho Indígena de Roraima (CIR), área de maior tensão na reserva, assistiu ao julgamento de forma pacífica.
De um lado, estavam cerca de 700 índios ligados ao CIR, que defendem a reserva em área contínua. Do outro, um grupo menor, ligado à Sociedade de Defesa dos Indígenas Unidos de Roraima (Sodiur), de cerca de 50 pessoas, assistiu o julgamento ao vivo em uma televisão, defende a demarcação em ilhas e permanência dos produtores de arroz.
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Ampliar fotoÍndios a favor da homologação da reserva em área contínua permaneceram no local de forma pacíficaFechar [X]Foto: Jota7.comÍndios a favor da homologação da reserva em área contínua permaneceram no local de forma pacífica
O primeiro a votar foi o relator do processo, ministro Carlos Ayres Brito, que se mostrou favorável a homologação em área contínua. Logo após, o ministro Carlos Alberto Menezes Direito pediu vistas do processo e o presidente do STF, Gilmar Mendes, encerrou o julgamento. Não há data marcada para a decisão final, porém Menezes Direito acredita que a ação seja retomada ainda neste semestre.
O grupo que defende a demarcação da reserva em ilhas comemorou o adiamento da decisão como uma final de copa do mundo, com direito ao hino nacional, fogos de artifício e forró. "O pedido do ministro (Menezes Direito) para analisar o processo só vem mostrar que as 108 páginas do relato feito pelo Ayres Brito não foi suficiente para convencer os outros ministros", disse Erotéia Mota, uma das líderes do movimento.
Coube ao grupo ligado ao CIR assistir a festa de braços cruzados. Os indígenas permaneceram no local de forma tranquila, Martinho Macuxi, tuxaua, disse estar feliz pelo voto favorável do ministro Ayres Brito e confiante que os outros ministros vão seguir a decisão do relator. "Não vamos responder as provocações deles, a nossa luta é de 30 anos e não deve ser decidida de qualquer jeito, temos que ter paciência".
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Ampliar fotoHomens da Polícia Federal e da Força Nacional fazem a segurança no localFechar [X]Foto: Jota7.comHomens da Polícia Federal e da Força Nacional fazem a segurança no localCerca de 150 agentes da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança observavam a movimentação dos dois lados. Em caso de conflito, outros 250 policiais, que estão em cidades próximas, poderão reforçar o contingente na Raposa. O efetivo da Força Nacional em todo o estado é de cerca de 400 homens, concentrados principalmente da região da reserva.
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