Boa Vista - RR, Terça, 06 de Janeiro de 2009
Luciano Abreu » Jornalista formado em comunicação social - UFRR, repórter de telejornal e editor e comentarista de Cinema do Portal www.jota7.com - lucianoabreu@jota7.com
03/07/2008 - 12:37:20h
Luciano Abreu
Os 200 anos do Banco do Brasil são lembrados em Boa Vista com atrações de diferentes segmentos culturais. Uma delas é a mostra Inéditos em Boa Vista, composta de 10 filmes nunca exibidos na cidade, que ficam em cartaz de 8 a 20 de julho na Universidade Estadual de Roraima – Auditório – Rua Sete de Setembro, 231, Bairro Canarinho. A programação faz parte do projeto CCBB Itinerante, que, em comemoração ao bicentenário do BB, leva atividades culturais a todos as regiões do país nas áreas de música, teatro, literatura, fotografia, educação e cinema.
A mostra Inéditos em Boa Vista conta com produções européias, sul americanas e africanas, com valorização da diversidade de temas e origens. Há desde o premiado Abouna, de Mahamat-Saleh Haroun, diretor nascido no Chade, até o drama amoroso-político Bubble, de Eythan Fox, um dos maiores sucessos internacionais do cinema de Israel. Apesar da variedade de estilos e assuntos, predominam as questões contemporâneas, em alguma medida com ressonância política, em histórias sobre exílios, intolerância e acerto de contas com o passado.
O CCBB Itinerante traz ainda a Boa Vista o show de Renato Teixeira (dia 10 de julho), com os maiores sucessos de seu repertório de música caipira, e um encontro com Eduardo Bueno pelo projeto Laboratório do Escritor (23 de julho), no qual falará de seu processo de criação. No mesmo período da mostra Inéditos em Boa Vista, de 8 a 20 de julho, acontece a exposição História das Moedas no Brasil – Moedas não Convencionais. Um seminário com produtores culturais da região, para estimular inscrições para os próximos processos de seleção de projetos para os CCBBs e para o CCBB Itinerante, acontece também no dia 8.
Sinopses
Abouna, de Mahamat-Saleh Haroun (Chade-França-Holanda/02). Dois irmãos fogem de casa e acreditam ter encontrado o pai nas imagens de um rolo de filme encontrado num cinema onde se abrigam.
Com este argumento singelo, o realizador do Chade, detentor de 19 premiações nos principais festivais, fez um clássico do cinema africano. QUINZENA DOS REALIZADORES – FESTIVAL DE CANNES. 10 anos.
Bubble, de Eytan Fox (Israel/05). Dois rapazes gays dividem apartamento com uma garota num bairro boêmio de Tel Aviv conhecido como A Bolha. Mas os três não ficarão imunes aos conflitos entre judeus e palestinos.
Irresistível comédia dramática que comprova o bom momento por que passa o cinema israelense. 16 anos.
Helena Meirelles - A Dama da Viola, de Francisco de Paula (Brasil/02). Documentário sobre Helena Meirelles, violeira doPantanal falecida em 2005, analfabeta e autodidata, que gravou seu primeiro CD aos 67 de idade após ter trabalhado como lavandeira e benzedeira e ter tocado em feiras e bordéis.
A "Dama da Viola" domina o filme com seu carisma e notável habilidade para contar “causos”. Livre.
Iluminados pelo Fogo, de Tristan Bauer (Argentina/05). O suicídio de um amigo faz ex-combatente da Guerra das Malvinas mergulhar nas recordações do período.
Primeiro filme argentino a abordar diretamente o episódio. PRÊMIO GOYA DE MELHOR FILME ESTRANGEIRO, PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI – FESTIVAL DE SAN SEBÁSTIAN, MELHOR ROTEIRO – FESTIVAL DE HAVANA. 16 anos.
Jacquot de Nantes, de Agnés Varda (França/91). A viúva do diretor Jacques Demy (1931-90) reencena a infância do marido e o despertar de sua paixão pelo cinema na cidade Nantes.
O resultado é uma obra terna e comovente onde um dos atrativos são as recriações de seqüências de filmes de Demy que se tornariam celébres, esplendidamente inseridas na narrativa ficcional. EXIBIÇÃO HORS CONCOURS – FESTIVAL DE CANNES. 10 anos.
O Pesadelo de Darwin, de Hupert Sauper. (Áustria-Bélgica/04). As consequências na economia e no ambiente social no entorno do lago Victoria, Tanzânia, África, depois de intervenções ecológicas. PRÊMIO CÉSAR DE MELHOR FILME ESTRANGEIRO. 16 anos.
Povoado Número Um, de Rabah Aimeur-Zaiméche (Argélia-França/06). Imigrante argelino é extraditado para seu país natal após cinco anos de detenção por tráfico de drogas. Elaborada meditação sobre as contradições de uma nação dividida entre tradição e modernidade.
Com seu segundo longa, Zaimèche firma-se com um dos mais sofisticados cineastas de origem magrebina entre os muitos em ação no cinema francês. PRÊMIO DA JUVENTUDE - FESTIVAL DE CANNES. 14anos.
Transylvania, de Tony Gatlif (França-Romênia/06). Jovem francesa vai até a Romênia em busca do músico cigano que a engravidou.
Exemplar do cinema musical, colorido e hipnótico de Tony Gatlif, autor descendente de ciganos. MOSTRA COMPETITIVA – FESTIVAL DE CANNES. 16 anos.
Ventos da Liberdade, de Ken Loach (Alemanha-Espanha-França-Itália-Irlanda/06). Visão do nascimento do Exército de Libertação Irlandês nos anos 20 pelos olhos do sempre hábil e competente realizador britânico. PALMA DE OURO - FESTIVAL DE CANNES. 16 anos.
Você e Eu, de Julie Lopez-Curval (FRANÇA/06). Esperado segundo título da relizadora que ganhou a Camêra de Ourode 2002, concorrido prêmio que o Festival de Cannes reserva aos iniciantes. Roteirista de fotonovelas inspira-se em sua vida pacata sentimental para criar as tramas que escreve mas, porém, acrescenta romance e aventura a sua desanimada rotina. 14 anos.
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