Boa Vista - RR, Terça, 06 de Janeiro de 2009

Sara Silva

» Empresarial J7

Sara Silva » É estudante de jornalismo do curso de comunicação social - UFRR e Editora do Universitário J7 do Portal www.jota7.com

20/11/2008 - 14:11:22h - Fonte: ASCOM/EMBRAPA

Ovinocultura anima criadores Roraimense

Mas os bons ventos no setor não vêm soprando por acaso

Equipe Jota7

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Ovinocultura anima criadores Roraimense Ampliar foto Fechar [X]

Boa Vista (RR) - A criação de ovinos ganhou impulso nos últimos dez anos, em Roraima. Os criadores do Estado perceberam que investir nesses rebanhos pode ser um bom negócio. A matemática é simples: o tempo de abate do carneiro é menor, enquanto o preço da carne no mercado é maior que o da bovina. E os gastos com alimentação e manuseio não se diferenciam de outros rebanhos.

Segundo o presidente da Associação de Criadores de Ovinos de Roraima, Manoel Leopoldo Filho, a espera pelo abate dura cerca de dois anos no caso dos bovinos, enquanto para o ovino o ponto ideal é com seis meses. "E o quilo da carne de carneiro, no Estado, varia entre 12 e 14 reais, independente do corte. Ao contrário do gado, que tem um preço diferente para cada corte. Na prática, o faturamento com a criação de carneiros pode ser até dez vezes maior em comparação com o rebanho bovino", garante.

Mas os bons ventos no setor não vêm soprando por acaso. Leopoldo ressalta a importância do trabalho combinado entre a Embrapa e a Associação de Criadores, que contribui bastante para a expansão do rebanho ovino em Roraima, com a aquisição de reprodutores e matrizes de alta linhagem, que permitem melhoramento genético dos animais.

A raça Santa Inês é a mais difundida, existindo em menor número exemplares de Dorper, Barriga Negra. Não existem estimativas oficiais sobre o rebanho ovino de Roraima, mas se estima em 30 mil cabeças. Também não existe, no Estado, um abatedouro com as especificações sanitárias adequadas. Por isso, por enquanto, a carne é voltada apenas para consumo interno e não passa por inspeção rigorosa. Um risco para população. Mas o presidente da Associação vislumbra um cenário diferente para 2009, quando deve ser liberada uma verba do Governo Federal para a construção do abatedouro.

O médico veterinário Ramayana Menezes, pesquisador da Embrapa Roraima, confirma que os criadores estão investindo nas instalações, manejo e alimentação do rebanho. "Eles participam com entusiasmo das capacitações que oferecemos, mas ainda falham na gestão da propriedade. E não fazem o registro dos nascimentos e dos custos de produção", lamenta.

Sarapatel e buchada

A ovinocrapinoculltura sempre acompanhou o crescimento do rebanho bovino como atividade secundária à pecuária de corte, desde que a região de Roraima começou a ser colonizada, a partir de 1775. Em anos mais recentes, no final da década de 70 do século passado, o governo federal distribuiu matrizes e reprodutores das raças Morada Nova e Santa Inês - provenientes do Nordeste brasileiro - como forma de incentivar a criação de pequenos ruminantes.

A exploração de ovinos, em Roraima, sempre foi maior que a de caprinos. E feita de forma extensiva, em pastagens naturais de savana. O investimento dos fazendeiros, em geral, restringia-se à construção de um aprisco simples, coberto com palha de buriti. Os carneiros são animais rústicos que têm boa adaptação ao ambiente tropical. Assim como o boi, do carneiro não se perde quase nada: além da carne, são aproveitadas as vísceras para o preparo da buchada. Os órgãos e o sangue são utilizados no sarapatel (ou sarrabulho). O couro pode virar assento de tamborete, forro para cela, tapete, sapato. E o esterco é excelente para a fruticultura.



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