Boa Vista - RR, Terça, 06 de Janeiro de 2009
Iara Bednarczuk » Apresentadora de TV e Publicitária
11/04/2008 - 11:23:49h
Gersika Nascimento
Johann Barbosa Reporter TV Ativa
O J7 entrevista o jornalista Johann Barbosa. O repórter foi abordado recentemente por manifestantes na área indígena Raposa Serra do Sol, enquanto fazia a cobertura da Operação Upatakon 3, e teve todo material de trabalho confiscado.
Johann Barbosa é jornalista, formou-se na Universidade Federal de Roraima (UFRR) no final de 2007, mas trabalha na área há três anos. Começou como repórter e redator na Rádio Roraima onde trabalha atpé hoje. Há sete meses trabalha também como repórter da TV Ativa. Já atutou como operador de master e como cinegrafista na mesma emissora.
1. Jota7: Você é um jornalista novo, formou-se recentemente, como você vê a profissão aqui em Roraima?
Johann Barbosa: Apesar de quase todos os meios de comunicação no estado serem ligados de alguma forma a políticos, existe espaço para quem quer trabalhar com jornalismo, e espaço para desenvolver-se enquanto trabalha, o que eu acredito ser mais difícil em outros estados.
2. Jota7: Durante a cobertura da Operação Upatakon três, você e o cinegrafista Harlisson Silva, foram abordados pelos manifestantes que confiscaram fitas e o bloco de notas com o material levantado durante um dia inteiro de trabalho. Você acredita que se fosse um jornalista mais experiente daria para evitar que o material fosse levado?
Johann Barbosa: talvez. Pecamos por não nos prevenirmos. Devido ao clima de tranqüilidade durante todo o dia, não desconfiamos que aquilo poderia acontecer. Quando eu percebi, não havia mais como avisar ao Harlisson e já estávamos cercados.
Foto: TV Ativa
Ampliar fotoEquipe da TV Ativa chegando na Polícia Federal para prestar queixaFechar [X]Foto: TV AtivaEquipe da TV Ativa chegando na Polícia Federal para prestar queixa3. Jota7: Você sentiu medo quando foi abordado pelos manifestantes?
Johann Barbosa: Foi uma mistura de medo com nervosismo. Sabia que ia acontecer algo de ruim quando me perguntaram pelo cinegrafista, e quando vi um deles mandar o motorista desligar o carro. Mas o sentimento maior foi de raiva e frustração, por ter todo o material perdido.
4. Jota7: Como você conseguiu manter a tranqüilidade no momento da abordagem, pois sabemos que os manifestantes estavam prontos para uma abordagem, digamos violenta?
Johann Barbosa: Quando um deles tentou arrancar a câmera do ombro do cinegrafista, eu interferi, entrei no meio dos dois e pedi calma. Foi a reação que tive na hora, não pensei antes de fazer.
5. Jota7: Como jornalista e formador de opinião, você acredita que a situação pode se agravar na área indígena Raposa Serra do Sol?
Johann Barbosa: Com a recente suspensão da Operação até que o STF publique a decisão final da ação que contesta a homologação da Raposa Serra do Sol, os ânimos irão se acalmar. Mas caso o Supremo decida pela retirada dos não-índios do local, o que é mais provável, acredito que a insatisfação retorne. Vi que os manifestantes se preparam para combater a Polícia Federal.
6. Jota7: Qual o sentimento de um Jornalista que teve o resultado de um dia inteiro de trabalho confiscado, de não poder mostrar a população o que realmente acontece, ainda mais quando fazemos um trabalho sério ouvindo os dois lados da questão?
Johann Barbosa: Até aquele momento, a coordenação do Cir (Conselho Indígena de Roraima), no local, não havia se manifestado para a imprensa. Eles gravaram conosco sem nenhum problema... daí você entende o sentimento de raiva e frustração os quais me referi a pouco.
7. Jota7: No início dessa semana comemoramos o dia do Jornalista (07 de abril). Você acredita que o profissional recebe o devido valor aqui em Roraima? Como você vê o tratamento dado aos jornalistas? Eles têm motivos para comemorar?
Johann Barbosa: Salários defasados, um diploma que não é necessário para o exercício da profissão, fazendo com que quaisquer pessoas possam se declarar jornalistas, obstrução da liberdade de imprensa. Esses e outros fatores que acabaram se tornando corriqueiros não devem ser comemorados. A data deve ser lembrada sim para buscarmos o reconhecimento e a dignidade de nossa profissão.
Foto: Arquivo Pessoal
Ampliar fotoFechar [X]Foto: Arquivo Pessoal
Comentários
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20/05/2008 - 19:02:57h por Sebastião Coelho
Fiquei surpreso com a entrevista do jornalista, ao informar que em Roraima ninguém necessita de diploma, ou seja, qualquer pessoa pode se "fazer" jornalista. Acredito que isto é exceção ocorrendo em algum estado da federação. Lamentável! porque não se faz um expediente ao sindicato nacional ou AJN.
15/04/2008 - 12:07:26h por Josimar Santos Batista
Apesar de novo no exercício da profissão efetivamente como jornalista oriundo de uma instituição superior, porém muito bem preparado quanto sua responsabilidade de bem informar e consciente da formação superior. Os jornalista sem formação superior, fazem uso ilegal da profissão, que é crime.
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