Boa Vista - RR, Terça, 06 de Janeiro de 2009
Iara Bednarczuk » Apresentadora de TV e Publicitária
08/07/2008 - 23:45:33h
Iara Bednarczuk/Marcone Lázaro
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Luciano Abreu
O Jota7.com completou no último dia 07-07-08 um ano de criação e é você quem ganha o presente: uma entrevista especial.
O Portal é formado por vários profissionais de destaque no jornalismo roraimense, e entre eles um super repórter, correspondente da Globo em Roraima e editor de duas editorias aqui no Jota7.com: "Blogs e Crônicas" e "Cinema". É ele mesmo, Luciano Abreu.
01- Jota7: Como foi sua trajetória no telejornalismo e as dificuldades de alcançar o posto de correspondente Global?
Luciano Abreu: Passei, sem concluir, por faculdades de Direito, Filosofia, até que em 1998 iniciei o curso de Jornalismo na UFRR, esse devidamente concluído. No segundo semestre trabalhava como estagiário da reitoria da Federal quando uma amiga de curso, Débora Arraes (repórter da Caburaí na época) convidou-me para trabalhar lá. Os chefes de Jornalismo na Caburaí eram o Marcelo Ribeiro e o Éder Rodrigues que me concederam a oportunidade de trabalho, aprendi muito com eles, Lidiane Oliveira, Laurismar Sampaio, Mauro Gruber, entre outros. Um ano depois fui convidado para trabalhar na TV Roraima. Sem dúvida o maior passo da minha carreira jornalística, novos colegas, mais conhecimento, tudo isso somado a oportunidade de dois estágios na Rede Globo, 30 dias na Globo Nordeste e outros 30 na Globo Rio, ajudaram-me a subir alguns degraus. As matérias para a Rede iniciaram com um vt no Globo Rural, sobre produção de arroz (imagina que ironia, hein?) passando também por alguns na Globo News. Os principais jornais vieram com a Operação Praga do Egito, no caso dos Gafanhotos e também com as primeiras manifestações contrárias a homologação da Raposa Serra do Sol. Daí foi possível conseguir "entrar" com outras matérias e ter um contato maior com os editores da Globo, o que é fundamental na hora de oferecer reportagens.
Falar das dificuldades de todo esse processo é falar de horas intermináveis de produção, estresse, entrar na TV sem ter hora para sair e no fim, não ver a matéria ser exibida. Isso mesmo! Várias e várias vezes trabalhei um dia inteiro, enviei matéria e nada. Nenhuma linha, e o pior é que na maioria das vezes ninguém liga para avisar que a matéria não foi aceita ou que não vai passar. É uma frustração geral, de toda equipe de trabalho. Somos uma TV relativamente pequena, e o trabalho de um envolve o trabalho de todos. Existe a necessidade de dedicação, praticamente exclusiva ao trabalho de repórter, na hora de produzir para rede. É o preço para ver uma matéria em nível nacional. Se vale a pena? Vale sim. Pela satisfação pessoal, não financeira (estamos longe da total satisfação financeira, quem sabe um dia?) tudo isso vale a pena, afinal, é apaixonante ser repórter.
02- Jota7: Como é fazer reportagem em Roraima, e infelizmente ter que sempre noticiar coisas negativas do estado?
Luciano Abreu: Muitas pessoas questionam isso. "Vocês só mostram coisas ruins de Roraima!”.
Quero dizer francamente que tentamos sempre oferecer matérias culturais, ambientais, iniciativas, que valem exibição nacional. Logo no início da produção de rede, só conseguíamos emplacar as matérias factuais, assuntos de operações, essas coisas. Simplesmente essa abertura dos assuntos roraimenses ainda é pequena, mas estamos tentando quebrar esse eixo sul-sudeste de assuntos diversos para dar mais visibilidade as pautas regionais. Conseguimos algumas vitórias, colocamos no ar matérias de pesquisa, por exemplo, a dos Tamanduás, exibida no Bom Dia Brasil, uma série de cinco reportagens sobre o município de Amajari na Globo News, as militares femininas no Monte Roraima, também na Gnews. Ainda é pouco, pouco mesmo. Precisamos de mais espaço de pautas positivas. Mas sempre prefiro crer que se mostramos coisas negativas, ao mesmo tempo mostramos que essas mesmas coisas estão passando por uma depuração, uma limpeza. E não esqueçamos que nós oferecemos as matérias, só que a decisão final não é nossa, é deles, da Globo.
3- Jota7: Em uma de suas crônicas você já comentou sobre as dificuldades, que quase ninguém sabe, na vida de um repórter. Entre essas dificuldades quais foram as piores?
Luciano Abreu: Sempre que possível viajamos, gosto de ir a lugares diferentes. Acho que essa coisa de sair da redação reflete bem esse trabalho do repórter. Ir atrás da notícia. Dificuldades? Inúmeras! De caráter de produção, de logística, sem contar as surpresas que encontramos por aí. Dormimos no chão, ao relento. Já viajei na boléia de um caminhão da região do Paredão até a Feira do Produtor. Subir o Monte Roraima, sem dúvida foi à aventura mais estressante. Fora algumas decolagens e pousos nesses Papa Tangos (aviões pequenos) da vida. As questões mais polêmicas são as indígenas, o direcionamento das reportagens local e nacional é diferente, isso não é facilmente entendido pela população, já fui ameaçado de levar umas pancadas, de ficar como refém no Flexal, lá no Uiramutã. A benção Divina protegeu-me de todos esses infortúnios e até hoje, concedeu-me a graça de continuar o meu trabalho.
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Ampliar fotoLuciano Abreu em ação no Monte RoraimaFechar [X]Foto: Arquivo `PessoalLuciano Abreu em ação no Monte Roraima
04- Jota7: Como é depois de vários anos escrevendo textos para TV, começar a escrever crônicas e comentar sobre cinema no www.jota7.com?
Luciano Abreu: O cinema é uma paixão antiga. Gostaria de escrever mais, mas o tempo às vezes é curto e não consigo atualizar a página como gostaria, nem fazer os comentários a contento. Quem sabe no futuro não me transforme num cronista virtual? Quem sabe? Por falar em crônicas, escrever as Crônicas do Jota7 é exercitar um lado que nas reportagens não posso. Opinar de forma literária sobre um assunto, dar um toque de poesia, de sarcasmo, todas essas ferramentas ajudam a escrever de uma forma diferente e acima de tudo, livre. E liberdade não tem preço.
05- Jota7: Você é um dos criadores do JOTA7.COM, que completa um ano de criação, como é ser jornalista sem patrão?
Luciano Abreu: O Jota7 é uma experiência incrível, além de enveredar por uma área diferente, acredito na proposta do site. E falo de uma proposta que envolve não só o papel do site como mecanismo de informação, mas também a possibilidade de desdobramento do Jota7 em uma empresa de comunicação capacitada, que de fato já é, com bons profissionais, que, com certeza, chegará um dia a um status de grande, e aí sim, falaremos dos Jornalistas sem patrão, ou melhor, os jornalistas como os próprios patrões.
06- Jota7: Qual é a perspectiva de um jornalista para essa nova ferramenta (Sites) como meio de comunicação de massa?
Luciano Abreu: O jornalista é um disseminador de informação, por isso quanto mais abertura, quanto mais ferramentas para que essas "sementes" espalhem-se entre a comunidade, melhor! A informação precisa estar acessível a todos e de todas as formas. A internet revolucionou nossa forma de comunicação, só que ao contrário do que se imaginava, não acabou com os impressos, assim como a tv digital em celulares, não vai acabar com os televisores nas residências. Todas essas formas de comunicação somam-se ao estilo e padrão de vida da nossa sociedade. E não se enganem, apesar de todas essas ferramentas, muita gente pelo mundo a fora vai passar uma vida inteira, sem nunca ter acessado a internet, ou ver uma televisão, ou mesmo atender a um celular. Essas contradições da nossa sociedade vão permanecer independentes de tudo aquilo que estiver disponível por aí, é a vida, diferente para cada um.
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Ampliar fotoLuciano ao lado da amadaFechar [X]Foto: Arquivo PessoalLuciano ao lado da amada
07:- Jota7: Fora da vida corrida de um repórter, Luciano Abreu faz o que nos dias folgas?
Luciano Abreu: Quando não estou na TV, sou repórter de internet, quando não sou repórter de internet, vejo os jornais na televisão, quando não vejo os telejornais, assisto a filmes ou leio um livro. Só que melhor do que isso é conseguir relaxar em casa ao lado da minha esposa, curtir a família, os afazeres do lar, dar uma volta pela cidade. De tanto ver de tudo por aí, descobrimos que o melhor da vida está na simplicidade do lar, da família, coisas simples e essenciais. Porque no fundo podemos até viver sem internet e tv, mas sem amor, carinho e compreensão, isso nunca.
Comentários
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29/08/2008 - 15:13:17h por karla cristiane
Bom,saber que aqui em RORAIMA à profissionais competentes como Luciano.Vou fazer vestibular neste ano,e quando termina e vou me inspira um pouco nele ou ser melhor do que ele.
02/08/2008 - 11:06:20h por Camila Dall
Admiro muito o trabalho do Luciano e como jornalista entendo perfeitamente dessas dificuldades de produção. Mas quero deixar registrado o meu parabêns ao J7 que olha para o jornalista como um profisional admirável e não contestável, como a maioria. Abre espaço para o real valor desse profissional!
22/07/2008 - 16:37:28h por Gislaine Teixeira
Para mim o Luciano é o Domingos Meireles de Roraima, acho o estilo deles bem parecidos, eles contam as notícias como se fossem histórias, adoro as matérias dele, parabéns Luciano!
14/07/2008 - 15:55:36h por Ana Cláudia
Um profissional sério, que trabalha em cima de fatos e que acima de todos esses fatos, sempre está em busca da imparcialidade. Esse sim é um rapaz a quem se tira o chapéu, amo ver suas matérias que sempre contam a verdade e nunca ferem a dignidade de pessoas de bom caráter.
Saudades meu cunhado
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