Boa Vista - RR, Terça, 07 de Fevereiro de 2012
05/07/2010 - 14:15:16h
Equipe Jota7
A pesquisa sobre o Mapa da Violência 2010 - “Anatomia dos Homicídios no Brasil”, divulgado pelo Instituto Sangari, referência internacional sobre o tema, mostra que, de 1997 a 2007, o Brasil registrou 512.216 assassinatos. Só em 2007, foram 47.707 vítimas, nada menos do que 130,7 por dia. A pesquisa aponta que em Boa Vista o índice de homicídios reduziu.
Os números apontam ainda que em 18 das 27 Unidades Federativas, a década trouxe incremento nas taxas de violência homicida, com casos extremos como os de Alagoas, Maranhão e Minas Gerais, onde os índices aumentam acima de 150%. O estudo é baseado nos atestados de óbito do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde e mede a violência e taxa de homicídios por 100 mil habitantes.
Apesar do crescimento do número de assassinatos no resto do país, Roraima foi um dos estados que apresentou índice negativo de violência, e conseguiu reduzir em 21% as taxas de homicídios da população. O estado de Roraima saiu da 7º posição no ranking da violência homicida, com uma taxa de 35,4, em 1997 para 12º lugar, com 29, em 2007.
Entretanto, entre os anos de 1997 até o ano de 2002 Roraima era considerado um Estado com alta incidência de homicídios, atingindo picos máximos de violência entre os anos de 1998 e 1999, com índices de 50,6 e 57,7 o número de homicídios, taxas equiparadas a registradas em grandes Estados como Rio de Janeiro e Pernambuco.
Só a partir de 2003, houve uma redução nessas taxas, caindo de 50,6 em 1998 para 29,7 em 2003. A partir de então esses índices vem decaindo, o que resultou em dez anos numa taxa negativa de 21%.
Boa Vista
A queda foi maior nas capitais, onde as ocorrências passaram de 45,7 homicídios a cada 100 mil habitantes em 1997 para 36,6 em 2007. Os números absolutos da cidade Boa Vista caíram de forma significativa a partir do ano 2000. Desde essa data até 2007, o número de homicídios em Boa Vista ficou reduzido em metade do que era no ano 1998 com taxa de 51,5, ou seja, quedas da ordem de quase 8% ao ano. Em 2007, Boa Vista registrou um índice na taxa de homicídio de 25,7 e ocupou a 24º posição no ranking, sendo considerada uma das capitais menos violentas do país. Em 1997 Boa Vista ocupara a 15ª, com 34,6.
Porém, no interior os números são diferentes. A taxa de homicídios no interior do país cresceu de 13,5 (a cada 100 mil) em 1997 para 18,5 em 2007. De acordo com o estudo, os dados indicam o fenômeno da "interiorização da violência", que começou na virada do século, e consiste no deslocamento dos pólos dinâmicos da violência das capitais e regiões metropolitanas para o interior.
Violência cresce entre jovens
O estudo mostrou ainda que, desde 1980, a violência continua crescendo entre os jovens brasileiros. Se a cada 100 mil jovens (entre 15 e 24 anos) 30 deles morriam por homicídio em 1980, o número saltou para 50,1 em 2007. É nesta faixa que se concentram os maiores índices de homicídio do país.
No ano de 2007, as vítimas na faixa de 15 a 24 anos de idade representaram 36,6% do total de homicídios no país e, mais precisamente, no pico dos 20 e 21 anos de idade.
Em dez anos, no geral, Roraima registrou uma média de redução de 15,1% na taxa de homicídios entre jovens de 15 a 24 anos, passando de 48,8 em 1997 para 41,4 em 2007 o que coloca o Estado na 18º posição no ranking nacional de homicídios nessa faixa etária.
Em Boa Vista a taxa média de homicídios entre jovens de 15 a 24 anos no ano de 2007 foi de 46,8 e em 2003 esse índice chegou a 41. Já entre jovens de 15 a 29 anos o índice foi de 42,8 o que demonstra que a violência atinge com maior potencial o público cada vez mais jovem.
De acordo com o Mapa da Violência, em mais de 90% desses casos de homicídio as vítimas eram homens e os mais atingidos no período foram os negros: se em 2002 morriam 46% mais negros do que brancos, em 2007 a proporção cresceu para 108%.
Segundo a pesquisa uma análise ano a ano mostra que as estatísticas poderiam ser piores. De 1997 a 2003, a taxa de homicídios no país cresceu na faixa de 5% ao ano, atingindo o pico de 28,9 assassinatos para cada 100 mil habitantes em 2003 - com 51.054 mortos. Depois disso, o índice caiu em 2004 (27) e 2005 (25,8), voltou a subir em 2006 (26,3) e alcançou seu menor patamar em 2007.
Desarmamento
O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, autor do mapa, diz que o número de homicídios cresceu sistemática e significativamente até o ano de 2003, com incrementos elevados: em torno de 5% ao ano. Já em 2004, essa tendência se reverte, quando o número de homicídios cai 5,2% em relação a 2003.
Essa queda segundo ele pode ser atribuída às políticas de desarmamento desenvolvidas pelo governo federal a partir de 2003, período que marca a entrada em vigor do novo Estatuto do Desarmamento, que torna mais rígidas as penas por posse e porte de armas de fogo, e a Campanha do Desarmamento, de entrega voluntária de armas com contraprestação financeira.
Para o secretário de Segurança Pública do Estado, general Eliéser Girão Monteiro Filho, os números estimulam a continuar investindo forte na prevenção ao crime, bem como planejando fortalecer os efetivos e a integração entre as instituições da Segurança Pública.
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