Boa Vista - RR, Quarta, 08 de Fevereiro de 2012
07/07/2010 - 21:56:29h
Equipe Jota7
O corregedor Geral de Polícia Civil João Luciano de Resende Neto, acompanhado de mais três delegados, vai cumprir na noite desta quarta-feira, 7, o mandado de prisão preventiva em desfavor dos policiais civis Weverton Brito Ferreira, lotado na Delegacia de Polícia de Santa Cecília, Kelson Leal Gerônimo, Rômulo Andrade Brito e Janari Souza Sales, lotados no 1º DP.
Os quatro policiais foram presos em flagrante no último sábado, após uma operação policial que já durava mais de 30 dias, acusados dos crimes de formação de quadrilha e concussão.
As investigações tiveram início após denúncias formuladas pelo garimpeiro, F. B. L., 29, residente em Pacaraima, de que estaria sofrendo ameaças e pressionado a pagar a importância de R$ 12 mil, exigidos pelos policiais. A partir daí, a Polícia Civil montou um plano de investigação que contou com a participação da Delegacia de Polícia de Pacaraima, do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (DPJC) e do Departamento de Operações Especiais, (DOPES).
Segundo o corregedor, a vítima estava com medo pela pressão que estava sofrendo pelos policiais que exigiam dinheiro, os ameaçando de prisão e que iriam implantar drogas em seu carro e também ameaçando familiares da vítima.
Ele contou que as investigações apontaram que um dos agentes conhecia um amigo de F. B, que foi intermediário para a venda de uma arma de fogo Magnum 3,57, para a vítima.
Dias depois outros policiais, que pertenciam ao grupo, ainda segundo o corregedor, o abordaram, no igarapé Sargento Ávila, em Pacaraima, e constataram que ele portava o revólver. Ao invés de efetuar a prisão em flagrante, os policiais exigiram a importância de R$ 10 mil. Como garantia, levaram o carro dele, entregue após o pagamento do valor cobrado, em Boa Vista, num posto de combustível.
A partir daí, eles o procuraram dias depois, apresentaram um mandado de prisão em nome de uma terceira pessoa. Disseram que seria do garimpeiro e exigiram R$ 12 mil, para não cumprir o mandado. A vítima não tinha o dinheiro e teve que vender o carro para poder pagá-los.
Os acusados passaram a fazer contatos com a vítima com o objetivo de saber se já tinha conseguido o dinheiro exigido por eles. Cansado da pressão e com medo, em virtude de que ameaçavam matar seus familiares, inclusive um irmão que tem problemas mentais, a esposa que está grávida e o pai que é portador de mal de Alzheimer, a vítima procurou a Polícia.
Foram desencadeadas várias investigações e diligências, no sentido de comprovar os crimes cometidos. Na última sexta-feira, 3, a Polícia Civil tomou conhecimento de que três dos acusados haviam se dirigido a Pacaraima e presumindo que poderiam cometer outros crimes foi desencadeada uma operação para monitorá-los.
Foi verificado que os acusados procuraram a vítima por várias vezes neste dia, não tendo o encontrado. No sábado, 4, a vítima manteve contato informando à Polícia Civil de que os acusados lhe informaram que apenas um deles iria pegar a quantia de R$ 5 mil, às 11 horas, no município de Pacaraima. Nessa ocasião foi entregue pela vítima à Polícia, cópia de cédulas de R$ 100, R$ 50 e 20, totalizando R$ 800,00.
A partir daí, segundo o corregedor, a Polícia Civil passou a monitorar e esperar o cometimento do crime. Um dos acusados foi por duas vezes a procura da vítima, não o encontrando no horário combinado, o que somente ocorreu por volta das 14 horas quando lhe foi entregue o dinheiro anteriormente xerocopiado, ocasião em que ele exigiu o restante do dinheiro, reforçando as ameaças.
A partir do momento da entrega do dinheiro a Polícia Civil e a Polícia Federal efetuaram diligências para prendê-lo, o que ocorreu por volta das 15 horas, em Pacaraima. Foi preso inicialmente Weverton Brito Ferreira. Os outros três foram presos em Boa Vista.
PREVENTIVA - Segundo informação do corregedor, a defesa dos quatro interpôs recurso no sentido de conseguir o relaxamento da prisão e a liberdade provisória deles.
O juiz Marcelo Mazur, da Comarca de Pacaraima, ao analisar as provas existentes nos autos corroborou com o trabalho executado pela Polícia Civil e expediu os mandados de prisão preventiva em desfavor dos policiais mantendo-os presos.
Na decisão o juiz destaca que a prisão foi legal, sendo, portanto, incabível a liberdade provisória e manteve a prisão pelos crimes de concussão, formação de quadrilha, extorsão e concussão passiva.
“Peço a colaboração da sociedade para que possíveis vítimas de atos ilícitos compareçam à Corregedoria Geral de Polícia e denunciem eventuais crimes cometidos por estes policiais, ora encarcerados”, disse o delegado
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